terça-feira, 21 de novembro de 2017



sangro e ouço a dor dos últimos meses revirando cada músculo meu do contrário
a minha sombra é gigantesca e eu não sei se sabia, antes
hoje meu útero grita dum jeito que eu preciso inspirar três vezes o tempo de uma só respiração pra aquietar
eu lembro que dentro do meu quarto de concreto tem floresta porque a floresta é dentro de mim
sou grata por esse rio que uiva e estremece minhas bases com suas revoltas de pedra e que leva embora o que precisa ir
e que vá
e que siga por novos percursos, riozin
que massageie meus nós todos, e abra espaço
vazio
silêncio
verdade
cura

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

SAI



se eu pudesse soltar as correntes teclas

da minha pirata

hoje

eu rasgaria as hierarquias e minhas saias velhas e correria correria correria correria cantando alto e gargalhando

eu tomaria uma cerveja deliciosa pra caralho e arrotaria gigante ao final
eu diria DANÇA COMIGO OU SAI DA FRENTE e daria um beijo na sua boca, você que me olhou assim lá dentro das minhas janelas de cortinas translúcidas
eu diria
FODA-SE, eu sentiria fodaaaaaaaaaaaaaaaa-se, eu gozaria na terra e me pintaria com essa tinta de prazer, origem e sangue
eu dormiria na areia da praia sussurrando magia pra lua
eu dormiriiiiiiiiiiiiiiia
até o primeiro raio de sol me acordar, eu cantaria os mantras que mais me acalentam e mergulharia nua no mar
e sairia dando estrelinhas
eu veria os elementais me dando bom dia
eu juntaria as mulheres que amo numa roda e a gente dançaria juntas até não aguentar mais
fazendo careta e suando até aquela vontade imensa de tomar um banho e o banho se torna uma experiência sem igual
eu tocaria todos os instrumentos que sempre quis tocar, eu tocaria um tambor coração que tremeria meu chão
eu pisaria na terra e deixaria meu cabelo bagunçar com o vento frio
meu corpo seria quente e entregue às montanhas
eu falaria a língua das fadas e dos silêncios
e compreenderia como ser plena sem ser nota
tempestade de mar

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAH LIBERTAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Ode

Grande Espírito Minha Mãe sou
grata pela experiência de existir nesse corpo que é a fonte o templo e a festa de todas as minhas vivências cores estações lágrimas ritos memórias sensações afetos florestas prazeres

Esse meu corpo que me conduz no embalo da dança da brisa e da tempestade
com a necessidade do espírito de todos os seres
Que me põe voraz no espaço tempo das sinapses

É através das minhas orelhas que eu ouço os pássaros a voz do trovão alerta os orgasmos das ondas as gargalhadas das mulheres
O silêncio
Da pele de todos os meus órgãos que desvendo as texturas infinitas da Terra e suas crianças

Inspiro e nasço expiro e morro inspiro e nasço expiro e morro inspiro e nasço expiro e morro inspiro e nasço expiro e morro inspiro e nasço expiro e morro inspiro e nasço expiro e morro inspiro

Esse meu corpo que é antes de tudo só meu

Vai se confundindo pelas palavras do mundo
Reencontra-se

E me trilha na livre expressão de quem sou



quarta-feira, 7 de junho de 2017



massagem de cachoeira
o cabelo embaraçando
o rugido da garganta soltando concretos
nua


inteira

pra depois estirar na pedra quente e larga
e deixar a pele comer sol
de braços abertos

terça-feira, 21 de março de 2017

Eu gostaria de ser respeitada. Eu sou uma mulher, eu gostaria de ser respeitada. Eu sou uma mulher forte.
Eu sou uma mulher forte que está tentando fazer o que sente. Eu estou tentando falar o que quero dizer, do jeito que der, e gostaria de ser repeitada. Eu sou uma mulher forte que diz, que silencia também, mas diz, muito, sou uma mulher forte que milita e medita, e gostaria de ser respeitada. Eu estou tentando valorizar minha arte, minha poesia e aquilo que me afeta. Eu sou uma mulher beirando os 21, indo para o último ano da faculdade, tendo voz, falando sério mesmo mas gargalhando de bobagens infantis, trabalhando sem parar, sonhando alto, rodando com minhas hermanas, pisando descalça no chão, acreditando em fadas e recebendo golpes reais, dizendo palavrões e preces, superando abusos e acreditando no meu potencial,
e gostaria de ser respeitada.
Eu vivo em busca de honrar meu corpo, dar a ele o prazer que ele merece, meu corpo que é a floresta densa onde habitam todas minhas ancestrais, e nós
gostaríamos
de ser respeitadas
No meu corpo os meus pelos todos crescem até onde eu quero que cresçam, e eu quero que sejam crescidos mesmo, é assim que eu me sinto real, é assim que eu quero ser respeitada.
Eu acredito numa Divindade que amo, costumo pensar nela como Mulher, eu chamo minha Divindade também de Universo, Mãe Terra, Grande Espírito, Lua, Eu, Deusa, Deus, eu dou várias formas para ela, eu a encontro em mim, na noite, na gira, no cachimbo, na ayahuasca, em casa, na praia, na minha gata, nas pessoas queridas que me cercam, eu a encontro em tanto, tanto, e gostaria de respeito.
Eu estou exatamente onde deveria estar, fazendo exatamente o que deveria fazer, sentindo exatamente o que deveria sentir, expressando exatamente o que deveria expressar, comendo exatamente o que deveria comer, bebendo exatamente o que deveria beber, vestindo exatamente o que deveria vestir, rasgando exatamente o que deveria rasgar, escutando exatamente o que deveria escutar, mudando exatamente o que deveria mudar, permanecendo exatamente no que deveria permanecer,
Correndo quando deveria correr
Parando
Quando deveria parar
Desconfiando
Confiando
Desistindo
Resistindo
Aliviando
Fechando
Sorrindo
Gritando
Tendo
Exatamente a mesma autonomia que tenho para decidir exatamente o que decido
E eu decido
Que gostaria
De ser respeitada
Sem ter que agradecer por isso

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Os vãos dos prédios desafogam o céu e é só mormaço pousando sobre a pele
As minúcias dos espelhos regidos pelos cenhos franzidos a distancias
Os meninos e seus olhares giratórios incansáveis suas fragilidades impositoras de pedregulhos
As meninas e seus teares de entrelaçamentos e forças motoras de poesia concreta
As luzes anunciantes da magia pesada das palavras vocalizadas em vazio
Nossos aplicativos de meditação e grilos noturnos de artifício-tela
Nossas tentativas de escape
Nossas plantas nas janelas
Nossos cimentos rachados
Nós
Cidades





terça-feira, 2 de agosto de 2016

Mais uma pra ela que é de tanto eu não me aguentar

Nós

Pacotes de pele, pelos, cascos, digitais

Textura

Expansão de órgãos por porosidades impulsionadas de ossaturas
Expressões musculosas de estiradas condensações

Raridades típicas

Nossos gestos viciados
Nossas alergias
Nossos gostos por uns cheiros e outros
Nosso traço ao escrever
Nossa quantidade de suor
Nosso timbre

No entanto

Essa esfera
Gigante
De fogo
Que nos pinta a todos de dourado e quentura

Me faz lembrar das semelhanças da minha pele
Com a tua
Feita de conchas, pegadas, e aaaaaaaaaaaaaahs tuas notas
(A maior prova de que músicas
São ondas
Sonoras)

Isso é coisa que até há alguns dias não percebia,
Mas
Desde a primeira vez que ouvi você cantar
Tu já fez parte

Dos meus alcances vocais
Das geometrias que enxergo ao fechar os olhos
Das coisas que tanto me impressionam
Da espessura dos fios dos meus cabelos
Das minhas singularidades

Te trago como espelho e enfeite de verão
(Pra adorno de corpo inteiro e além)

Dessa vez
Não houve despedida
-Te enraízo em mim-

-E rego-
Quiçá não há de ter nunca mais